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Mostrando postagens de setembro, 2020

Para além do portal

Para além daquele portal Talvez haja um paraíso, vida nova, riqueza Ou talvez apenas continuação da vida antiga Muitas dúvidas! Não pergunto, Sei que a morte não existe Enquanto não passo pelo umbral, olho para o portal, depois da calçada, depois do jardim Não posso ver além dele, senão o pórtico, as colunas e peças a ornar E de nada me adiantaria continuar olhando para o outro lado Tentando enxergar aquilo que não consigo ver Me volto apenas ao lugar onde estou O templo, espaço codificado Estou feliz por estar aqui Há alguém além daquele portal! E há alguém antes daquele portal Curiosidade de todos com o que está além do portal, além da calçada, após o jardim Aquela passagem, a pergunta, o que terá além do portal? Quando chegarmos lá, quando lá chegarmos, saberemos O que sabemos é que deste lado ainda estamos Em que tempo? O tempo Dele, o Grande Arquiteto do universo Ele que tem seus mistérios, que não nos cabe entender Confiar somente. O tempo tem pressa Nosso caminho, é a luz Aqui ...

A HISTÓRIA DE OUTRAS HISTÓRIAS

                                                                                                                    Sandro Alex Batista de Sousa   Observando Maryan em suas transformações há algum tempo, uma ave bela e formosa passou a acompanhá-la de longe em suas viagens para visitar o amante, Olaboniel, e decidiu vigiá-la também em sua forma humana. Maryan era uma das bruxas de Tessália, e morava numa pequena vila próxima a montanha. Nova, bela, porém inexperiente nas artes da bruxaria, esposa de Jamal dono da hospedaria. Ela, que se transformava numa grande e imponente coruja, formosa e sedutora. Por ser ainda jovem e aprendiz de bruxa, man tinha em sua casa algumas poções de transformação que...

A Terceira Margem do Rio de João Guimarães Rosa

Nosso pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo; e sido assim desde mocinho e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas, quando indaguei a informação. Do que eu mesmo me alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros, conhecidos nossos. Só quieto. Nossa mãe era quem regia, e que ralhava no diário com a gente — minha irmã, meu irmão e eu. Mas se deu que, certo dia, nosso pai mandou fazer para si uma canoa. Era a sério. Encomendou a canoa especial, de pau de vinhático, pequena, mal com a tabuinha da popa, como para caber justo o remador. Mas teve de ser toda fabricada, escolhida forte e arqueada em rijo, própria para dever durar na água por uns vinte ou trinta anos. Nossa mãe jurou muito contra a idéia. Seria que, ele, que nessas artes não vadiava, se ia propor agora para pescarias e caçadas? Nosso pai nada não dizia. Nossa casa, no tempo, ainda era mais próxima do rio, obra de nem quarto de légua: o rio por aí se estendendo grande, fundo, cal...