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Mostrando postagens de setembro, 2025

Canalhas não tem gênero

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Tirinha retirada da internet Canalhas não tem gênero  Canalhas não suportam poesia. Não é porque lhes falte leitura, é porque lhes sobra dureza na alma. A poesia é um sopro de humanidade, e eles respiram apenas o ar pesado da conveniência e do interesse. Enquanto a poesia convida ao silêncio, à contemplação, ao gesto delicado, o canalha prefere o barulho da própria voz, a pressa do lucro e o jogo do engano. A poesia revela fragilidade, e o canalha tem medo de se reconhecer frágil. Ela denuncia mentiras com a força de uma metáfora, e os canalhas temem ser desnudos em versos. A poesia abre caminhos no coração, mas eles só conhecem atalhos para a vantagem. Por isso se irritam diante de um livro aberto, zombam de quem recita, e riem quando alguém se emociona. Não é riso de alegria, é riso de defesa. Porque sabem, no fundo, que se permitissem um único verso entrar, sua couraça se partiria. Canalhas detestam poesia p...

Um mundo encantado

No último sábado, o educandário parecia outro. Em vez de lápis, giz de cera e tintas de pintura, muita alegria. O pátio todo enfeitado, tinha até a arca de noé com muitos bichos que mãos maravilhosas produziram. Também muita música infantil no estilo ilariê. Cada sala ornada para uma oficina específica, bandeirinhas e cheiro de pipoca estourando. Era a festa da família, e eu, que agora caminho entre livros, recebi uma missão especial: ser o contador de histórias naquele dia. Não fui sozinho para a aventura (ainda bem). Ao meu lado, duas professoras, cúmplices, maravilhosas — uma com olhos atentos, a outra com um sorriso largo — arrumavam o cenário como se estivéssemos montando um palco de teatro. Eu, já fantasiado de contador (com um chapéu que não obedecia à gravidade e uma roupa de palhaço em duas cores, que insistia em me apertar na cintura), respirava fundo, tentando lembrar se tinha colocado um ponto final ou uma vírgula na última história que contei. As crianças chegaram,  tí...