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Mostrando postagens de 2025

Canalhas não tem gênero

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Tirinha retirada da internet Canalhas não tem gênero  Canalhas não suportam poesia. Não é porque lhes falte leitura, é porque lhes sobra dureza na alma. A poesia é um sopro de humanidade, e eles respiram apenas o ar pesado da conveniência e do interesse. Enquanto a poesia convida ao silêncio, à contemplação, ao gesto delicado, o canalha prefere o barulho da própria voz, a pressa do lucro e o jogo do engano. A poesia revela fragilidade, e o canalha tem medo de se reconhecer frágil. Ela denuncia mentiras com a força de uma metáfora, e os canalhas temem ser desnudos em versos. A poesia abre caminhos no coração, mas eles só conhecem atalhos para a vantagem. Por isso se irritam diante de um livro aberto, zombam de quem recita, e riem quando alguém se emociona. Não é riso de alegria, é riso de defesa. Porque sabem, no fundo, que se permitissem um único verso entrar, sua couraça se partiria. Canalhas detestam poesia p...

Um mundo encantado

No último sábado, o educandário parecia outro. Em vez de lápis, giz de cera e tintas de pintura, muita alegria. O pátio todo enfeitado, tinha até a arca de noé com muitos bichos que mãos maravilhosas produziram. Também muita música infantil no estilo ilariê. Cada sala ornada para uma oficina específica, bandeirinhas e cheiro de pipoca estourando. Era a festa da família, e eu, que agora caminho entre livros, recebi uma missão especial: ser o contador de histórias naquele dia. Não fui sozinho para a aventura (ainda bem). Ao meu lado, duas professoras, cúmplices, maravilhosas — uma com olhos atentos, a outra com um sorriso largo — arrumavam o cenário como se estivéssemos montando um palco de teatro. Eu, já fantasiado de contador (com um chapéu que não obedecia à gravidade e uma roupa de palhaço em duas cores, que insistia em me apertar na cintura), respirava fundo, tentando lembrar se tinha colocado um ponto final ou uma vírgula na última história que contei. As crianças chegaram,  tí...

Reflexões sobre um cadáver

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     Imagem produzida por IA                                    Ali jaz, no silêncio sepulcral, mais profundo que um abismo Um corpo que já foi abrigo de sonhos e delírios, paixão O tempo, em sua marcha lenta e sem perdão Roubou-lhe o brilho, a voz, o coração Olhos cerrados - janelas que um dia viram o mundo Testa fria como rocha metamórfica Lábios que sussurraram amor, dor, poesia,  descansam, agora, gélidos, calados, em eterna melodia Quem fostes tu, antes da quietude mortal? Um amante? um guerreiro? Um ser banal? Esquecestes que eras somente um ser carnal? Merecestes a morte? Assim, de forma tão brutal? Teu nome talvez se apague, desapareça, como areia arremessada ao vento Desejo que a família nunca te esqueça No momento tua lembrança povoa pensamento O que é a morte senão um espelho invertido? Pois ela não mente, não finge, não seduz, Será um reflexo da vida num tempo perdid...

O professor, um farol de Virtudes

  Nos palcos da vida, um mestre se eleva,  Com a luz do saber que a alma embeve.  Professor dedicado, a paixão que o move, No ensino, a semente que o futuro escreve. Cristão fervoroso, na fé que o guia,  No amor ao próximo, sua mais bela liturgia.  Humano, amigo, a empatia que irradia,  No coração, a bondade que contagia. Família, alicerce de sua jornada,  No lar o amor, que fortalece e acalma. Artesão da vida, sua missão sagrada,  No trabalho, a entrega que eleva à alma. Herdeiro, na busca pela verdade e razão,  Nos símbolos, a sabedoria que o conduz.  Como Noé, justo e perfeito em sua geração Assim oh Senhor, tu o fará jus Boêmio, de alma livre, sem prisão,  Na alegria, na vida que o seduz. Está na gratidão… No grande arquiteto que o conduz Figura pública, exemplo a inspirar,  Na ética, a conduta que o define.  Um homem de valores, a quem honrar,  No legado, a história, perfeito sublime. Docente, companheiro, opífic...

Propósito

Naquele dia, me vesti de coragem, Com armadura de honra, luzidia, a brilhar. Coração em chamas, ardente, a palpitar Tocava como uma banda sinfônica  Pulsava tão alto que toda a igreja ouvia Mas…você não estava lá Uma deusa perdida, desvanecida Minh’alma em prantos, caminhei só pelos corredores, minha figura desaparecia, Procurei por onde a tua sombra deveria estar. Coragem, honra, paixão, alma aberta, Nada mais importava, você não estava lá A banda cessou, restou só o silêncio sepulcral, Na imensidão da minha expectativa. A ânsia de te encontrar Mas…você não estava lá! Enfim, não era para ser Por isso, você não estava lá Nem nos meus sonhos consegui mais te encontrar Caminhei uma eternidade Até compreender que havia um propósito Por isso você não estava lá. Sandro Alex Batista de Sousa

Canção em Dois Tons 🎶✨

  Nos palcos da vida, entre acordes e brisa, Ele, um cantor, já de alma imprecisa. Meia idade nos ombros, histórias no olhar, Mas o peito ainda ardia, pronto para amar. Foi numa noite de luz delicada, No bar abafado, voz embriagada. Ela cantava com alma e calor, Italiana de fogo, perfume e ardor. Seu canto era vinho, era dança no ar, Versava saudades, que o fazia sonhar. Ele, encantado, sem chão, sem medida, Sentiu-se um jovem, pronto a uma nova investida. Os olhos se cruzaram num tom de paixão, A música uniu o que a vida escondeu. Ele dedilhou no violão uma canção, E ela sorriu, o destino entendeu. Numa melodia de notas perdidas, Seus mundos distintos viraram um só. Cantaram a noite, esqueceram as vidas, E o tempo parou, num dueto sem nó. Mas o amor de boêmios é feito de estrada, De noites eternas e auroras caladas. Eles partiram, levando a canção, Na beira da praia vivendo a paixão. E toda vez que a lua se inflama, No palco sozinho, ao som do refrão, Ele canta...

Poema aos ignorantes

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  A ignorância é um mar vasto e profundo, Onde muitos navegam sem rumo ou farol. Iludidos pela falsa lucidez deste mundo, Afogam-se em sua própria incultura que enche o parol. O saber é um oásis distante, Miragem que a muitos acena com um futuro melhor. Mas poucos se aventuram, insignificantes,  Temendo o deserto, o esforço, a dor, o suor. A ignorância é um véu que cobre a visão, Impedindo de ver com clareza a verdade. É a tela que nos afasta a razão, Deixando-nos cegos à realidade. Mas a ignorância não é seu destino, É escolha, é comodismo, é temor. Romper o véu é um caminho divino, Que exige coragem, ousadia e labor. Pois o saber é chave que abre portas, Liberta a mente, acende a luz da razão. É mapa que guia em rotas incertas, E revela a essência da erudição. Portanto, não se acomode na sua ignorância, Desperte a curiosidade, a ânsia de aprender. Busque o saber com persistência e constância, E veja um mundo novo a te florescer. Sandro Alex Batista de Sousa