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Mostrando postagens de outubro, 2020

Amargura

Não é aqui, nem ali, em parte alguma Não é este ou aquele lugar. Só amargura Dizem que na água há o poder da redenção Desço ao galinheiro, mergulho as mãos no lago Mas do lago, nos meus dedos, só a sujeira   Ando ao redor, olho a cerca, o pomar Me passa aquela mesma ideia. E dói! Dói como chaga aberta Tento falar. Mas falar para que? Só por falar? Bobagem! Falar besteira, melhor calar.   Os pensamentos continuam à solta, como feras E eu ali a remoer velhas primaveras Tentando equacionar as ideias, severas   Mas é tudo igual, mistura de prazer e dor Observo os pés de manga que ainda não deram flor O pequizeiro que não permite a erva lhe forrar   Assim continuamos, eu e a solidão O paraíso a nos rodear O canto dos pássaros rompendo o silêncio   O meu interior, quer explodir como um vulcão Erupção tentadora. Mais uma vez só mesmo a tentação Falta a coragem. O jeito é seguir adiante sem tesão   Tesão de viver, viver para amar e ser amado Me doar as pessoas, sen...

Se eu morrer

Amei, Todas ao longo da vida E a vida mais ainda! Que tolo! Julguei que me amariam Mas não fui amado Pela única razão Acredito que eu mesmo nunca amei   Consolei-me voltando a solidão A escuridão do quarto E sentando-me outra vez a beira da cama Deitei! Meus fantasmas já não são tão feios agora Os campos, afinal, não são tão verdes quanto deveriam Mesmo assim corro por eles, distraído Que sentido é estar distraído Morto!!??  Sem sentido...   Mas...se porventura eu não morri E se eu morrer Sem ter publicado livro nenhum Sem ver meus versos impressos Peço que se quiserem, faça-o Publique-os por mim E se assim for, será Eu estarei neles, presente   Mesmo que meus versos nunca sejam impressos Eles terão sua beleza, sua ousadia, sua loucura Sim...a sua loucura Não desejei eu estar aqui Desejei poder vê-los em letras de fôrma Times, Arial, mesmo meu rabisco Impresso Para que sintam a delícia da rima O tesão do verso   Se eu morrer, não se magoe Nunca fui senão um home...