Amargura
Não é aqui, nem ali, em parte alguma Não é este ou aquele lugar. Só amargura Dizem que na água há o poder da redenção Desço ao galinheiro, mergulho as mãos no lago Mas do lago, nos meus dedos, só a sujeira Ando ao redor, olho a cerca, o pomar Me passa aquela mesma ideia. E dói! Dói como chaga aberta Tento falar. Mas falar para que? Só por falar? Bobagem! Falar besteira, melhor calar. Os pensamentos continuam à solta, como feras E eu ali a remoer velhas primaveras Tentando equacionar as ideias, severas Mas é tudo igual, mistura de prazer e dor Observo os pés de manga que ainda não deram flor O pequizeiro que não permite a erva lhe forrar Assim continuamos, eu e a solidão O paraíso a nos rodear O canto dos pássaros rompendo o silêncio O meu interior, quer explodir como um vulcão Erupção tentadora. Mais uma vez só mesmo a tentação Falta a coragem. O jeito é seguir adiante sem tesão Tesão de viver, viver para amar e ser amado Me doar as pessoas, sen...