Reflexões sobre um cadáver
Imagem produzida por IA Ali jaz, no silêncio sepulcral, mais profundo que um abismo Um corpo que já foi abrigo de sonhos e delírios, paixão O tempo, em sua marcha lenta e sem perdão Roubou-lhe o brilho, a voz, o coração Olhos cerrados - janelas que um dia viram o mundo Testa fria como rocha metamórfica Lábios que sussurraram amor, dor, poesia, descansam, agora, gélidos, calados, em eterna melodia Quem fostes tu, antes da quietude mortal? Um amante? um guerreiro? Um ser banal? Esquecestes que eras somente um ser carnal? Merecestes a morte? Assim, de forma tão brutal? Teu nome talvez se apague, desapareça, como areia arremessada ao vento Desejo que a família nunca te esqueça No momento tua lembrança povoa pensamento O que é a morte senão um espelho invertido? Pois ela não mente, não finge, não seduz, Será um reflexo da vida num tempo perdid...