Reflexões sobre um cadáver

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Ali jaz, no silêncio sepulcral, mais profundo que um abismo

Um corpo que já foi abrigo de sonhos e delírios, paixão

O tempo, em sua marcha lenta e sem perdão

Roubou-lhe o brilho, a voz, o coração


Olhos cerrados - janelas que um dia viram o mundo

Testa fria como rocha metamórfica

Lábios que sussurraram amor, dor, poesia, 

descansam, agora, gélidos, calados, em eterna melodia


Quem fostes tu, antes da quietude mortal?

Um amante? um guerreiro? Um ser banal?

Esquecestes que eras somente um ser carnal?

Merecestes a morte? Assim, de forma tão brutal?


Teu nome talvez se apague, desapareça,

como areia arremessada ao vento

Desejo que a família nunca te esqueça

No momento tua lembrança povoa pensamento


O que é a morte senão um espelho invertido?

Pois ela não mente, não finge, não seduz,

Será um reflexo da vida num tempo perdido?

Apenas leva, apaga a chama, apaga a luz.


Mas ainda há nobreza em seu repouso final

Pois, ensinas, mesmo mudo, sem sinal

Que a vida é breve um sopro, um avanço

e que o fim não é castigo, e sim um merecido descanso.


Descansas então, corpo sem dor, sem pressa, sem mágoa

Teu silêncio é mais eloquente do que qualquer palavra.

E nós, aqui vivos, seguimos tremendo e crendo na certeza de que, um dia,

também, infelizmente aqui estaremos.


Sandro Alex Batista de Sousa



Comentários

  1. Ui.... Que poema. Me vi em cado estrofe. Só descordo que infelizmente estaremos????

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  2. Reflexão que seremos todos algum dia ou noite. Desta não escapa ninguém.

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