Amargura

Não é aqui, nem ali, em parte alguma

Não é este ou aquele lugar. Só amargura

Dizem que na água há o poder da redenção

Desço ao galinheiro, mergulho as mãos no lago

Mas do lago, nos meus dedos, só a sujeira

 

Ando ao redor, olho a cerca, o pomar

Me passa aquela mesma ideia. E dói! Dói como chaga aberta

Tento falar. Mas falar para que? Só por falar?

Bobagem! Falar besteira, melhor calar.

 

Os pensamentos continuam à solta, como feras

E eu ali a remoer velhas primaveras

Tentando equacionar as ideias, severas

 

Mas é tudo igual, mistura de prazer e dor

Observo os pés de manga que ainda não deram flor

O pequizeiro que não permite a erva lhe forrar

 

Assim continuamos, eu e a solidão

O paraíso a nos rodear

O canto dos pássaros rompendo o silêncio

 

O meu interior, quer explodir como um vulcão

Erupção tentadora. Mais uma vez só mesmo a tentação

Falta a coragem. O jeito é seguir adiante sem tesão

 

Tesão de viver, viver para amar e ser amado

Me doar as pessoas, sentir o prazer de ser aclamado

Aguardando a hora da partida, quando assim eu for chamado


Sandro Alex Batista de Sousa


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