Se eu morrer
Amei,
Todas ao longo da vida
E a vida mais ainda!
Que tolo!
Julguei que me amariam
Mas não fui amado
Pela única razão
Acredito que eu mesmo nunca amei
Consolei-me voltando a solidão
A escuridão do quarto
E sentando-me outra vez a beira da cama
Deitei!
Meus fantasmas já não são tão feios agora
Os campos, afinal, não são tão verdes quanto deveriam
Mesmo assim corro por eles, distraído
Que sentido é estar distraído
Morto!!??
Sem sentido...
Mas...se porventura eu não morri
E se eu morrer
Sem ter publicado livro nenhum
Sem ver meus versos impressos
Peço que se quiserem, faça-o
Publique-os por mim
E se assim for, será
Eu estarei neles, presente
Mesmo que meus versos nunca sejam impressos
Eles terão sua beleza, sua ousadia, sua loucura
Sim...a sua loucura
Não desejei eu estar aqui
Desejei poder vê-los em letras de fôrma
Times, Arial, mesmo meu rabisco
Impresso
Para que sintam a delícia da rima
O tesão do verso
Se eu morrer, não se magoe
Nunca fui senão um homem que vivia
Fui gentio, como os pagãos do templo
Da solidão, fiz minha religião
Fui feliz, nunca fiz exigência por coisa alguma
Acho que também não me esforcei muito
Nem achei que tivesse de dar muita explicação
Então, fica o dito, pelo não dito
Se eu morrer, sintam-se felizes
Eu estarei feliz, tenho certeza
Afinal tenho vida eterna
Não preciso mais desse corpo
Meu espírito se desprenderá com suavidade
Sou como um pássaro, não estou cativo nesse corpo
Posso voar, como voam os deuses
Sandro Alex Batista de Sousa
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