Cena preta (Morador de favela)


 Morador de favela, um batalhador

São muitos meus defeitos, mas nenhum de caráter

Minha cor não diz que tenho passagem

Minha roupa é só uma forma de expressão

Nunca fui vilão, nem estive em prisão

Mas você é mal preparado, leigo, não cumpre direito a função

 Subiu o morro correndo quando me viu, arma em punho,

 Puta que pariu

Imagem apavorante, nesta fria noite de abril

Mãos para cima!

Gritou…

Traficante vil!

 Abordagem violenta!

“Vira aí cara! Senão nós te arrebenta”. 

Tentei apaziguar. 

Não deu. 

Eles só querem esculachar

Tentei dialogar. 

Um deles me feriu. 

Pensei que ia morrer

Nesse momento minha família chegou, os cara recuou

 Então, mandei a real para cima deles, 

Não seja um cop americano, não seja desumano

Suba sem preconceito cara, na favela também tem gente de respeito

Mais atenção, seja humano, de bom coração

Menos incursão e mais investimento

Chega de morte, de choro, de lamento

Sejam cordiais e menos violentos

 Tá ligado meu parceiro, nem todo mundo é bandido ou ladrão

Queremos saúde e educação

Estamos sempre na mira da sociedade

Que age sempre com arbitrariedade

O sistema, nos discrimina

A abusividade e a covardia predomina

Queremos respeito, justiça e paz

Direito de ir e vir

E não numa lápide 

AQUI JAZ

Sou bom rapaz.

Faço meu corre durante o dia, a noite estudo filosofia

Em uma universidade padrão, serei doutor da razão.

Minha arte, minha cultura, não é só para a curtição

 Ele (o estado) o povo enxovalha.

Mas minhas  rimas, meus poemas vão te ferir como corte de navalha

Vou contar a realidade, sempre em busca de igualdade

No morro ou no asfalto, nada de mãos para o alto

Vê se respeita essa gente. Na favela não tem só delinquente

Aqui, tem gente decente, vivendo dignamente

Povo ordeiro, trabalhador, povo brasileiro. 

Não é lixo nem bicho. 

A vida na favela não é moleza, aqui não tem riqueza.

Mas…continuaremos a lutar.

Enquanto isso não mudar.

Buscar respeito e igualdade é Desafiar o perigo. 

Mas jamais nos daremos por vencido.

 

Sandro Alex Batista de Sousa


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