Morte no palácio
Depois daquela noite de chuvarada
Encontraram o cadáver pela manhã
Enterrado na lama da enxurrada.
Junto a um pequeno pé de hortelã
Lamentou quem o encontrou
Triste ficou o aluno, o porteiro
O professor.
E até jardineiro
A notícia corria
Ao saber da morte,
Chorou a faxineira,
Exaltando a má sorte
Da tragédia derradeira
Afinal, quem é o de cujus?
De tão alta estima?
Perguntou curioso o chefe
Da oficina
Era morador do palácio,
Por isso se lastima.
A notícia se espalhou
E houve grande comoção
Morte no palácio!
Será que vai ter visitação?
O teatro, o cinema, as galerias
Onde será o velório? A inumação?
Pouco se sabia a respeito
Só se comentava a desventura
A notícia correu de todo jeito
Dando ao caso ar de aventura
O telefone não parava
Para saber quem tinha morrido
Até a guarda municipal esteve na portaria
Para saber do ocorrido
Será gente importante?
Alguém da diretoria?
Um funcionário, talvez!
A informação logo chegaria
Mas; depois de muito se especular
E espalhar a todos o fato
É que foi se descobrir, que o finado
Era um Gato.
Sandro Alex Batista de Sousa
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