Nas terras do Tijuco

Amo essa terra, essa gente, nem sei o por quê

Fico desapontado quando estou de partida

Minha alma entra em guerra, fica ferida

Até parece o fim da vida

 

Há! Terra querida

Da reciprocidade

Dos contrastes

Em cada dia vivido a felicidade


Terra onde o sol arde, a pino 

De estrada esburacada, sinuosa, empoeirada

Onde ainda da igrejinha da praça

 podemos ouvir o soar do sino

Chamando o povo a empreitada


Para alguns terra dura para se viver!

Mas…o tempo, o tempo passou, quem um dia sofreu, com certeza esqueceu...

Não há linha do tempo para coisas ruins, nem medidas…

Só restam pequenos vestígios… 

Da comida escassa, do pé no chão, da roupa remendada…

Na memória mesmo, só as lembranças afetivas.

 

No calor do coração;

Solidariedade;

Nos sonhos;

As delícias do lugar.

 

Tijuco de Januária,

Terra dos Grosso,

Dos Ferreira, dos Faria

De Batistinha do acordeon

Do vaqueiro Marimbondo

Que mora na minha imaginação

Devoto de São José, o padroeiro

Festejado em toda região


Terra de Don'Ana

A centenária guerreira

A Ana do seu Libano

Sempre forte, 

A derradeira


Mulher de fibra, 

Um exemplo de vida 

No rosto, a rigidez, a bravura

A força da mulher sertaneja, 

Que no fundo se

Esconde uma doçura


Terra de Cidão do morro

Que pelos caminhos do Tijuco

Carreando em carro de boi

Segue em frente, o matuto

Com sua junta de boi concentrada

Caminhando lentamente

Parecendo enfeitiçada

Sob o olhar de toda a gente

 

Lá vem ele, com seu porrete na mão

Gritando igual doido, o acabrunhado,

 “Quem tem medo corre”

Para muitos o endemoninhado

E quem é que fica... quando ele avança!

Ninguém! Ele sabe. Virou lenda...

Mas...no fundo é gentil feito criança.

 

Na vila do Cidão, o vaqueiro,

Muito longe, mais além,

Entre o Tijuco e o pandeiro,

Quem o conhece sabe bem;

Pois falando desse roceiro

Que de doido não tem nada

Bom coração é que tem

 

Das coisas simples do sertão

É mais prazeroso de viver

aqui não tem a tal destruição 

que na cidade possa ter


Na roça, com o gado, 

Catando pequi no chão

Sentindo a brisa do rio

Acalentando o coração

 

Ir na roça do seu Zé de América, 

Caminhando sem esmorecer

Naquela belezura de plantação

Bem cedinho, ao amanhecer

É que faz o dia mais feliz

Aumentando a expectativa de viver


E o rio São Francisco, logo ali pertinho

Tem cumprido sua missão

De levar alento ao ribeirinho

De produzir alimento pro sertão

 

Nesta terra, nortista, a princesa do sertão

Talvez pouca gente perceba

Como é feliz o cidadão

E associa a pobreza

A vida com limitação


Mas…Aqui o povo é forte, com certeza

Vive sem frescura,sem lamentação

Na roça, no curral,no engenho

Lutando com todas as forças

Neste chão seco e ferrenho

Buscando a sobrevivência

Sempre com muito empenho

 

Se do Tijuco, alguém mal falar

Não sabe o que diz

Mora em outro lugar

Não conhece essa raiz

Pois nas terras de Januária

É lugar de gente feliz.


Sandro Alex Batista de Sousa

 









 

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