Máscara
Estava aqui pensando que se fosse possível trocar de rosto como quem troca de roupas, talvez o mundo fosse um pouco mais leve — ou um pouco mais confuso. Em dias difíceis, poderíamos vestir um sorriso novo, esconder o cansaço, sair por aí com coragem estampada na pele. Em encontros importantes, escolheríamos olhos mais seguros, traços mais firmes, uma versão de nós que não hesita.
Mas há um encanto curioso nisso tudo: se pudéssemos mudar a face com facilidade, talvez perderíamos o valor de sermos reconhecidos pelo que somos, mesmo imperfeitos. Aquele sorriso torto, aquela expressão cansada, aquela olheira, aquela marca do tempo — tudo isso conta uma história que nenhum rosto novo saberia contar.
No fundo, talvez o maior poder não fosse mudar a cara… mas aprender a gostar da que a vida nos deu — e, ainda assim, conseguir transformá-la por dentro, onde nenhuma troca é necessária.
Sandro Alex Batista de Sousa
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