O irmão do Jorel
Uma analise do desenho por Sandro Alex Batista de Sousa - quarta, 16 Jan 2019, 10:29
Assim ele vive a
sombra da celebridade de seu parente popular.
De fato, se as
pessoas sequer notam sua existência, é por sua associação familiar com o Jorel.
Mas isso não chega a ser um problema, pois o irmão do Jorel tem vida própria e
se envolve em aventuras pelas quais todos passamos em nossa infância, como
aquele rito de passagem que é remover as rodinhas da bicicleta.
O desenho nos
mostra sobre ser uma criança crescendo no Brasil. A memória da ditadura
militar, o pai revolucionário, as avós que moram com a família e também a
influência da cultura norte-americana que povoa nosso imaginário desde a
infância.
O Irmão do Jorel
nos apresenta uma ambientação com o qual todos podemos nos relacionar. Ele não
arruma um emprego de verão cortando a grama dos vizinhos como na américa, aqui
a maior tarefa que se consegue é ir até a mercearia para comprar um refri para
a avó. E ele tem de lidar com a tentação de não gastar o troco em fichas de
fliperama. Quem nunca transformou o troco da avó em partidas de fliperama no bar
da esquina, ou em doces?
Ele vai à escola
todos os dias, até em dias que não tem aula. E encontramos debates riquíssimos
entre ele e Lara como por exemplo o debate sobre coisas de menino e de menina
ela fala com ele que não tem isso de brinquedo de menina e menino tudo é
brinquedo.
A série também traz
um tipo de unidade familiar que é comum para muitos de nós. O irmão do Jorel
vive com seu pai excêntrico, sua mãe só um pouco mais ajuizada que seu pai, com
o Jorel (claro), com o Nico, seu outro irmão e suas duas avós, uma rabugenta e
a outra adorável.
as crianças não são
discriminadas por motivos de “raça, cor, sexo, idioma, religião, opiniões
políticas ou de outra natureza, nacionalidade ou origem social, posição
econômica, nascimento ou outra condição”
No desenho das
personagens já é possível perceber que existe uma diversidade de
representações: Beto Cachinhos é um menino com algumas limitações físicas;
vê-se, ainda, personagens infantis negros – Sid Vinícius e Marcinho –,
estrangeiros – Pablito, de Honduras –, e crianças gordas – Débora e Samantha.
Também é importante destacar que existe um equilíbrio entre personagens
femininas e masculinas, e que o desenho quebra alguns estereótipos de
representação feminina, principalmente por meio da personagem Lara, melhor
amiga do irmão do Jorel. Alguns personagens também apresentam características
como o uso de óculos e aparelho, o que, na infância, para as crianças
espectadoras, pode ser tema de incômodo, ou vergonha, mas no enredo eles não
sofrem nenhum tipo de bullying ou desconforto por isso. O mesmo acontece com os
personagens mais velhos que repetiram de ano e estudam com as crianças mais
novas, na classe do irmão do Jorel.
E foi nesse tipo de ambiente que muitos de nós crescemos.
Pais, filhos e avós
dividem o mesmo teto em uma adorável bagunça que se torna a maior representação
de amor e estabilidade que existe para muita gente.

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