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Folhas ao vento

A terra vermelha, a cerca, as árvores. O pomar. Solidão, tristeza nenhuma. Pensar e pensar, escrever! Falar. Para que, já que nada quer dizer coisa alguma. O sítio, o paraíso... Desço ao galinheiro, a beira d'água, Este é o meu lugar. Deito-me…abro um sorriso a água barrenta me traz pensamentos... Deitado divago. E eles me vêem como fera, morte, esquecimento, saudade… Mesmo ante a quimera. Sossego. Efemeridade.   Os sentimentos se misturam,  amor, ódio, prazer, dor. Solidão que as almas draga... Levanto a cabeça ante a imagem de uma flor. Cada vez são mais longos os caminhos... Caminhos que me separam das pessoas. Meus sentimentos enjaulados, presos. Liberdade, não é uma súplica, nem desejo. Entanto, na jaula, sem palavras Gritam no silêncio os versos mudos os sonhos, as ideias, os amores ouvirão mesmo aqueles que são surdos. Solidão... O pensamento à solta, como um beija-flor. As ideias dispersas, no bater de suas asas.  E tudo se vai como folhas ao vento... Sandro Alex ...

Um dia no cotidiano de uma Escola Infantil

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Julho de 2017. Era um dia de estudos do terceiro período do curso de pedagogia da universidade do Estado de Minas Gerais – UEMG, este dia havia sido destinado a realizar uma visita a uma escola infantil pela professora de educação física. A escola ficava numa comunidade aqui no bairro da Serra em Belo Horizonte. Um lugar repleto de histórias, memórias, encontros e belezas, mas também de muita pobreza. Este dia foi simplesmente maravilhoso que suscitou o meu desejo de narrar a experiência tão singular vivida por mim e creio que por toda a sala naquele dia. Havíamos preparado muitas atividades. A expectativa era enorme. Como de costume, quando visitamos as escolas infantis, logo no início dos trabalhos somos acolhidos, em uma assembleia, geralmente, pela diretora ou um outro educador. No início, muitas histórias interessantes da escola foram reveladas, e a que mais me chamou à atenção, foi o modo como a escola nasceu e os valores constituídos pelas pessoas que idealizaram. Abrir uma es...

Louco

O homofóbico é um louco Não distingue quem é quem Das pessoas sabem pouco Não enxergam nada além. O homofóbico conhece a realidade Não consegue enxergar o amor Vive sem maturidade Espalhando muita dor. A luta é incessante Contra a homofobia Não passa de um verme errante Quem espalha ódio e covardia O homofóbico é um louco Que segrega sem razão Quer desqualificar o outro Que espalha compaixão O ser amado precisa de aceitação O amor precisa ser vivido, compartilhado A quem entrega o coração Assim se vence o ódio Casal, par, não importa o jargão E será muito feliz Quem tiver opinião. Sandro Alex Batista de Sousa

A faixa

Há uma faixa em minha cintura que quer cair. Tenho orgulho demais dela. Eu digo, fique aí,  ai te deixarei para que todos a vejam. Foram muitas horas até coloca-la ai. Os que observavam de fora, nunca saberão De como é estar lá dentro Sempre fui duro demais com eles. Minha faixa, não vai cair. Eu digo! Fique aí, tenho orgulho de você. Você é a prova do meu esforço,  ou dos privilégios. Do poder que há na escrita, na leitura. Há uma faixa em minha cintura que quer cair. Mas sou bastante esperto, não deixo que ele caia. Somente em alguns momentos me livro dela, quando todos estão dispersos. Faixa! Eu digo, sei que você está aí. Então eu viajo. Volto ao passado. Era sem perspectiva... Novamente a coloco de volta em seu lugar. A faixa,  que da minha cintura não quer mais cair. Dentro, pulsa um coração feliz. Não deixarei que morra a esperança e o amor. E nós para sempre juntos. Assim com nosso pacto secreto. A f...

A Rural que queimava perna

Preste atenção menino! A Rural vai te queimar, se não ficar quieto, se desobedecer seu pai, se desobedecer sua mãe. Vai queimar suas pernas! E as crianças começaram a acreditar naquela história, sobretudo ali no Nova Esperança, um bairro de Belo Horizonte onde passei boa parte de minha infância. Logo todas as crianças compreenderam que aquele automóvel velho, sem cor, e que tinha como motorista um senhorzinho simpático que só ele, era o mesmo que atacava as crianças, deixando pernas mutiladas com grandes marcas de queimadura. Logo a história se espalhou, a preocupação era com o carro, com a Rural de duas cores que ninguém sabia qual era. Elas compreenderam o alerta: A Rural que queima pernas pode aparecer repentinamente em suas vidas, queimar suas pernas deixando marcas horríveis ou até mesmo retirá-las de suas famílias. Trata-se de uma lenda, um conto urbano bastante apavorante, tanto que na minha infância, entre sete e dez anos foi muito usada para manter as crianças dentro...

A loira do Bonfim

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Foto internet Nos anos oitenta morávamos no bairro Nova Esperança na esquina de ruas Vassouras com Milton Lage, bem na beira de um córrego que por ali passava. Nessa época nossa região estava em franco crescimento e o prefeito Mauricio Campos havia determinado o começo das obras da avenida Américo Vespúcio e outras adjacentes. Fomos então desapropriados da casa em que vivíamos a margem do córrego da futura avenida Milton Lage. Nos mudamos então para a rua Jaguari quase em frente ao portão de entrada do cemitério do Bonfim. O Cemitério do Bonfim é o mais antigo de Belo Horizonte, inaugurado em 1897. Este cemitério é muito conhecido pelas suas belas esculturas. Cada jazigo traz uma história. É como estar em um museu a céu aberto! É também muito conhecido pelas lendas urbanas. O cemitério tem duas entradas, uma é essa que dá para a rua Jaguari e a outra fica próximo ao velório na praça do Bonfim, que é a entrada principal. Os muros são altos, os da rua Jaguari mesmo, chegam a ...

Tristeza

Na cidade Vejo o alvoroço da multidão. A solidão, a morte. O luto, do verbo, do verso, lutar Sons, ruídos, lamentos Que ferem, dilaceram As palavras e os sentimentos. Juatuba é só tristeza Vida que segue a nossa volta. Rimar o verbo, voltar. A imaginação à solta Como um pássaro, livre. Os sentimentos e as ideias, São misturas, imperfeitas, Falhas do pensamento, Corações dilacerados Flores para alegrar Pétalas ao vento. Divago, volto ao sitio O jardim, a cerca, o pomar, a casa, o fogão a lenha. Os animais, a terra vermelha, a lagoa, o paraíso. Os pés de pequi, manga rosa, ameixa, caqui. Neste lugar o sossego é um instrumento de tortura, tripalium. Ainda preso, amarrado, angustiado. Oh morte... Mas...vida que segue, que se arruma Estamos escravizados, humilhados. Assim, já nada, quer dizer coisa alguma. Sandro Alex Batista de Sousa